As Cervejas do Vale do Silício.

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Você provavelmente não vai encontrar muitos artigos explorando a combinação de “Cerveja” com “Vale do Silício”, mas eu decidi escrever esse post porque cerveja em alguns casos é uma experiência relevante para um brasileiro (empreendedor ou não) visitando o Vale.

Embora o Brasil esteja vivendo um boom de cervejas artesanais, a verdade é que a tradição e o clima no Brasil favorecem o consumo de cervejas estilo Pilsen, enquando em um bar na California esse não vai ser o caso.

Ales e Lagers

Cerveja é um produto muito simples, normalmente composto de água, um cereal (maltado e fermentado, produzindo gás carbônico e álcohol) e lúpulo (“hop” em Inglês, o “amargo” da cerveja, um conservante natural).

Existem dois tipos básicos de cervejas: Ales e Lagers. O que define a diferença é o tipo de fermento (yeast em Inglês) e a temperatura de fermentação.

Ales são um tipo mais “primitivo” de cerveja (se você deixar uma mistura de água e acúcar fermentar aleatóriamente, você tem uma Ale). As Lagers usam fermentos mais raros, fermentam a uma temperatura mais baixa, e normalmente produzem uma cerveja mais clara e com sabor mais limpo. A Pilsen (originárias de uma região hoje parte da República Checa), é a lager mais comum no Brasil.

Nos tempos modernos, enquanto no Reino Unido continuou tomando Ales, as Lagers dominaram o resto do mundo. Exatamente porque o fermento Lager é mais exigente (precisa de temperaturas específicas para fermentar direito) e produz uma cerveja mais limpa e sem sabores muito fortes, ela se adaptou perfeitamente a produção industrial e ao gosto médio das pessoas.

Budweiser, Coors, Antarctica, Skol, Tiger, Stella Artois, Quilmes, Corona, Foster’s, etc e a vasta maioria das cervejas disponíveis no supermercado no mundo inteiro são Lagers.

Quem faz cerveja em baixo volume normalmente produz Ales, porque os fermentos não ligam muito para controle de temperatura ou o pH da água e porisso não exigem equipamento sofisticado. Consequentemente, cervejas ditas “artesanais” normalmente são Ales.

Cerveja nos Estados Unidos

Nos EUA, as cervejas industriais são Lagers como no resto do mundo (a Budweiser, hoje parte da Inbev é a mais popular).

Mas, além da tradição Britânica, comparado ao Brasil, o movimento “craft beers” (cervejas artesanais) é mais antigo e forte nos Estados Unidos, particularmente na California. Algumas das cervejarias que começaram como “craft” hoje produzem cerveja Ale em volumes industriais. Sierra Nevada, Lagunitas, Anchor Steam são alguns exemplos de cervejarias da primeira geração de “crafts” na California que são encontradas em qualquer supermercado.

As Ales normalmente são classificadas por cor e podem ser “Pale” (clara), “Amber” (mais escuras), “Red” (avermelhadas), “Dark” (bem escuras).

Na época do império Britânico, eles colocavam mais lúpulo (um conservante) e aumentavam o teor alcohólico da cerveja enviada para a India. A cerveja ficava muito amarga, mas não estragava no caminho. Essa é a “India Pale Ale” (IPA), que ficou popular nos EUA.

Nos EUA, cervejas são vendidas em latas/garrafas (como no Brasil), mas normalmente os bares tem algumas cervejas disponíveis em “draft” (na torneira, como o “chopp” no Brasil). Normalmente se considera que é melhor tomar “draft” quando disponível.

Embora você possa comprar cervejas do mundo inteiro em um supermercado Americano, a experiência de ir ao bar e tomar “uma cerveja” é parecida nos EUA. Você vai acabar tomando Budweiser ou Coors e não vai notar muita diferença.

Mas na California, e particularmente no Vale do Silício, a coisa é diferente.

Cervejas do Vale do Silício

Então essa é a moral da história…

No Brasil, na sexta-feira, depois do trabalho, você chega no bar e está todo mundo tomando Pilsen InBev. Como sempre temos que discutir nossas preferências, e se discute de que cidade é a água usada para fabricar a cerveja. Na Califórnia, discutimos o lúpulo.

Nós, os Californianos, gostamos de exagerar em tudo. Então, quando as cervejarias craft na California querem se diferenciar do resto dos EUA e do mundo, elas exageram no lúpulo. Daí nasceram as Ales Californianas (com mais lúpulo que as IPA Britânicas). Tem as DIPA (double IPAs) e TIPA (triple IPAs). Elas são bem amargas e normalmente tem um teor alcohólico mais alto (7-10%)

Se você for ao bar numa sexta-feira a noite em Palo Alto, provavelmente não vai encontrar nenhuma lager industrial disponível em “draft”. A maioria das cervejas vai ser Ale e metade delas vão ser Ales “hoppadas” (IPA para cima). Provavelmente vão ter uma ou duas cervejas de trigo (wheat).

O Protocolo no Bar

Sierra Nevada, Lagunitas, Anchor Steam são algumas das marcas Californianas mais comuns. Firestone e Russian River são exemplos de duas crafts que cresceram nos últimos anos. Dependendo do bar, pode ser que você encontre uma craft local de verdade.

Se você não tem muita experiência com Ales, comece com uma Pale Ale. Em alguns bares, a cerveja é listada com marca, tipo, teor alcoholico e IBU (International bitterness unit, a medida de quão amarga é a cerveja).

Quando chegar no bar e o garçon perguntar “What are you going to drink?” (o que quer tomar?), você responde e pergunta de volta “A beer. What do you have on draft?” (Cerveja. O que você tem na torneira?). Daí ele vai te dizer as marcas. Você pode dizer “I would like to have a Pale Ale” (Eu quero uma Pale Ale). Provavelmente funciona.

Cerveja é normalmente servida em um copo de 1 pint Americano (470mL). Normalmente custa $5-6. A gorjeta é normalmente 15% da conta (ou $1 se comprando um copo avulso no bar).


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